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Maria Augusta Kutschera nasceu em 1905, ficando órfã aos 6 anos. Ao completar 18 anos, Maria decide
ser freira e entra para a ordem dos Beneditinos, na Abadia de
Nonnberg em Salzburgo. Lá dentro cria a reputação de ovelha
negra do convento, devido à sua personalidade rebelde de
criança criada com camponeses. Na sua biografia claramente
afirma que: “Quando se é uma filha das montanhas, passa-se
a fazer parte delas, tornam-se nas guardiãs da confiança na
vida. Se não se pode estar sempre no cimo das montanhas,
pode-se ao menos olhar para elas”.
Nove meses antes de Maria tomar votos, a Madre Superiora da Abadia de Nonnberg enviou-a como
preceptora para a família do Barão von Trapp
em Aigen, perto de Salzburgo. O Capitão
Georg von Trapp tinha servido como
comandante na marinha austríaca, tendo
passado à reserva após a queda do Império
Austro-Húngaro, no final da Primeira
Guerra Mundial. A sua primeira mulher,
a abastada Agathe Whitehead (filha do inventor
do torpedo submarino), tinha morrido
há menos de quatro anos, deixando-o
assim com os seus sete filhos. Maria era a
décima quarta preceptora, mas ao contrário
das suas antecessoras, rapidamente conquistou
o coração das crianças, devolvendo
a alegria e o afecto àquela família. O
Capitão, seduzido pela forte personalidade
de Maria Rainer, rompe o noivado com a
Princesa Yvonne e em 1927 casa com Maria,
que de um dia para o outro abandona
a sua ambição de ser freira e passa a ser mãe de sete crianças.
Posteriormente tiveram duas filhas e um filho.
Por volta de 1930 o Capitão perde a maior parte da sua fortuna
na grande recessão financeira, quando o Banco Nacional
Austríaco se desmoronou, devido ao embargo económico
feito pela Alemanha nazi à Áustria. A família Von Trapp teve
de se habituar, bruscamente, à falta de condições materiais.
A casa foi transformada numa pousada para receber estudantes
e religiosos em viagem. Um dos hóspedes, o PadreFranz Wasner, ouviu um dia a talentosa família. Em 1936,
por insistência do Padre Wasner e da cantora Lotte Lehman
(a grande intérprete das peças de Bertold Brecht), a Família
Von Trapp participou no Festival de Salzburgo e ganhou o
primeiro prémio. Tinham nascido os “Trapp Family Singers”.
Em 1938 a Alemanha invadiu a Áustria e a anexação tornouse
uma triste realidade. O patriótico Capitão
Von Trapp decidiu fugir com a sua
família, deixando para trás a sua casa e os
seus bens. Após a fuga, o palácio dos Von
Trapp foi ocupado pelo próprio Heinrich
Himmler, o líder nazi e chefe das SS.
A família Von Trapp, através da Itália,
embarcou para a América onde tentaram
fazer uma carreira como “Trapp Family
Singers”. Após uma subsistência pobre
e um início complicado neste país tão
estranho para eles, a sorte começou lentamente
a mudar, chegando a realizar diversas
digressões bem sucedidas em toda
a América e acabando por se instalar em
Stowe, Vermont, em 1942.
A Segunda Guerra Mundial acabou em
1945 e em 1947 o Capitão faleceu, devido
a uma doença pulmonar. As crianças
foram crescendo e seguindo caminhos
diferentes e os “Trapp Family Singers”
separaram-se.
A propriedade em Vermont foi transformada
numa estância de esqui de sucesso,
a “The Trapp Family Lodge”, onde até
aos dias de hoje, descendentes da família,
sob a liderança do filho mais novo,
Johannes von Trapp, mantêm viva a memória
dos “Trapp Family Singers”. Maria
acabou por partir como missionária
para a Nova Guiné, onde em 1987, com
82 anos, faleceu. Está enterrada ao lado
do seu marido, na sua propriedade em
Vermont.
A principal herança deixada por Maria
foi o seu livro, “A História dos Trapp
Family Singers”, publicado em 1949.
Assinou, em 1956, um contrato cinematográfico
(para ela, infelizmente, não lucrativo) com um realizador
alemão tendo vendido também os direitos de autor.
Na Alemanha foram feitos dois filmes baseados no livro: A
Família Trapp (1956) e A Família Trapp na América (1958),
com Ruth Leuwerik a interpretar o papel de Maria. Ambos
os filmes alemães foram os maiores êxitos do cinema alemão
do pós-guerra.
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